Maider Blanco, diretora da Fundación Nortempo
“Na Fundação Nortempo, trabalhamos em programas de consciencialização pela corresponsabilidade, estamos a mudar gradualmente essa cultura implantada na sociedade”, afirma a diretora, que celebrará a 8 de março, interna e externamente, envolvendo a equipa e organizando workshops inclusivos sobre recursos e competências profissionais.
Porquê que ainda é necessário comemorar o 8 de março, Dia Internacional da Mulher?
Porque, sem dúvida, ainda há muito o que fazer. Estamos a dar passos largos e estamos no caminho certo, atualmente temos que nos apoiar em legislar sobre o assunto com Planos de Igualdade, estabelecimento de cotas, mas espero que em alguns anos atinjamos a meta. É um trabalho de toda a sociedade que deve desenvolver-se desde muito cedo, com a educação como principal ferramenta.
De que modo é que a Fundação Nortempo o comemora em 2021?
A 8 de março celebramos interna e externamente. Internamente, na Fundação e no grupo de empresas Nortempo, vamos realizar ações de sensibilização dos trabalhadores, uma espécie de exercício de reflexão sobre questões fundamentais, como se realmente exista esta discriminação social e desta forma cada um possa tirar as suas próprias conclusões. E externamente, durante toda a semana impulsaremos webinars orientados para as mulheres, embora sejam inclusivos, trabalharemos temas como a marca pessoal, como fazer um currículo, nos casos em que ficaram muito tempo sem trabalhar e pretendem regressar ao trabalho, ou seja, como administramos esses espaços em branco na nossa carreira profissional e também desenvolveremos outras sessões sobre recursos e habilidades para encontrar um emprego.

Quais os planos ou medidas específicas de empregabilidade e inserção sócio laboral dirigidas às mulheres da Fundação Nortempo?
Na Fundação Nortempo temos o Programa Integra-T Muller, no qual trabalhamos especificamente com 30 mulheres vítimas de violência de género, e nosso principal objetivo é empoderá-las. Partimos da parte mais básica, com as habilidades sociais, porque a maioria vem de uma situação que as torna especialmente vulneráveis. Trabalhamos a motivação, o acompanhamento, realizamos estágios e acompanhamento dentro da empresa, com o objetivo final de conseguir a sua integração laboral. Para essas pessoas que começam a trabalhar, por exemplo, passar por um período de experiência pode ser muito mais frustrante do que para outras, então o apoio durante todo o processo é essencial.
Os números mostram as desigualdades de género na Espanha. O que podemos fazer como agentes Nortempo para corrigir essa situação?
Eu acredito que há um problema social básico, as mulheres acham sempre que o nosso trabalho é complementar, e quando alguém tem que se reconciliar ou parar de trabalhar, somos sempre nós. A partir da Fundação Nortempo, trabalhamos em programas de consciencialização por meio da corresponsabilidade, estamos a mudar gradualmente essa cultura implantada na nossa sociedade. É complicado? Sim, mas tem que ser feito. Também considero que na educação é importante estimular as mulheres a seguirem carreiras CTEM, porque muitas empresas, fruto do Plano de Igualdade, têm dificuldade em encontrar estes perfis técnicos. É um problema que vem desde os tempos de escola, as mulheres são orientadas para outro tipo de formação, por isso considero que a educação para a igualdade desde tenra idade é fundamental para realizar este trabalho inclusivo. A mordomia como tal ainda não existe, mas estamos a dar passos nesse sentido.
Como avalia as políticas de igualdade nas empresas sob a ótica da captação de talentos?
Atualmente existe um Plano de Igualdade, mas não deveriam haver cotas, embora eu entenda que sejam necessárias. Nas empresas, deve haver o recrutamento de talentos por meio de “currículos cegos”, sem dar atenção a outras condições, levando em consideração a experiência e a formação, e não questões como gênero ou idade.
Mulher jovem e mercado de trabalho. Temos um assunto pendente na inserção laboral?
Com efeito, com o agravante de que vivemos um momento difícil, numa pandemia e em ciclos de crise, recai sempre sobre os jovens e os maiores de 45 anos. E se for mulher, a situação fica ainda mais complicada. Insistiria na necessidade de formação, apostaria nela ao longo da carreira profissional e procuraria novos perfis que não são tão procurados.
O que é uma mulher com poder?
Sinceramente, não gosto muito dessa palavra, embora seja verdade que a usamos continuamente. Falaria mais de uma mulher com iniciativa, pró-ativa, que sai da sua zona de conforto, que traça objetivos e vai atrás deles, e que sabe valorizar as suas competências que vai desenvolvendo em todos os momentos da vida.
Responsabilidade ou corresponsabilidade social?
Corresponsabilidade, sem dúvida, e é claro que é assunto de todos. Não deveria haver um Dia da Mulher, pois não há um Dia dos Homens. Os seus direitos já existem, não tem de os justificar e é responsabilidade de toda a sociedade alcançar a igualdade real.