{"id":32977,"date":"2023-05-12T09:00:00","date_gmt":"2023-05-12T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/nortempo.com\/?p=32977"},"modified":"2026-05-04T16:22:52","modified_gmt":"2026-05-04T14:22:52","slug":"saude-mental-dos-colaboradores-e-a-importancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/blog\/nortempo-pt\/saude-mental-dos-colaboradores-e-a-importancia\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental dos colaboradores: uma est\u00f3ria mal contada"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A sa\u00fade mental est\u00e1 para as organiza\u00e7\u00f5es como as cal\u00e7as de ganga est\u00e3o para quem as veste: nunca passa de moda. Bem, existe uma pequena diferen\u00e7a. A elevada resist\u00eancia aos sucessivos testes da m\u00e1quina de lavar roupa, o desgaste das cores ou do tecido que vai abrindo at\u00e9 rasgar, apenas acentuam a longevidade e o estilo caracter\u00edstico de t\u00e3o ic\u00f3nico artigo.<\/h4>\n\n\n\n<p>Com a Sa\u00fade Mental passa-se quase a mesma coisa; isto \u00e9, enquanto as cal\u00e7as de ganga se pagam no ato da compra, a sa\u00fade tende a pagar-se no fecho de contas e custa, custa muito mais a despir do corpo que umas quaisquer cal\u00e7as da ganga.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a<a> <\/a><a href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789240049338\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS)<\/a><a>, <\/a>por defini\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade Mental refere-se a um padr\u00e3o de bem-estar, potenciador do desenvolvimento de compet\u00eancias pessoais que, acrescento, capacitam o indiv\u00edduo para um exerc\u00edcio de gest\u00e3o entre as esferas da sua vida e o contexto profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e9tricas do nosso mundo interior e substancial, de que somos parte invis\u00edvel ao olhar comum, que n\u00e3o o pode quantificar tanto quanto o deveria compreender, subsiste em n\u00f3s como um compromisso a que nos predispomos, uma negocia\u00e7\u00e3o a que nos adjudicamos, um ciclo que, em si mesmo, se nos revela recorrentemente incompleto. E como em qualquer outro jogo de for\u00e7as, nem sempre conseguimos conciliar a rela\u00e7\u00e3o entre a comunidade em que vivemos inseridos e o cumprimento de crit\u00e9rios conducentes a um desempenho produtivo. E descompensamos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, tais fatores tanto podem assumir-se de risco como de prote\u00e7\u00e3o, fatores esses inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o biopsicossocial da pessoa que, perante uma determinada situa\u00e7\u00e3o, ora tendem a desencadear comportamentos particularmente resilientes, ora se associam a quadros de especial vulnerabilidade psicol\u00f3gica. Importa, sim, referir o seguinte: num caso ou noutro, podemos estar perante a mesma pessoa, porventura, um profissional de excel\u00eancia para a organiza\u00e7\u00e3o que representa.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhemos \u00e0 pandemia da Covid-19. Apesar de sistematicamente errado, nesta an\u00e1lise polarizada e dicot\u00f3mica, tomemos como exemplo; por um lado, o grupo de colaboradores que, dado o car\u00e1cter de utilidade p\u00fablica da sua atividade, embora revezando-se por per\u00edodos de isolamento profil\u00e1tico, se mantiveram operacionais no terreno. Por outro, o grupo de colaboradores que, de repente, nos idos de mar\u00e7o, deram por si a trabalhar remotamente. Questionar, em termos absolutos, qual destes dois grupos ter\u00e1 sido mais afetado pela pandemia \u00e9, na sua formula\u00e7\u00e3o, errado. Uma vez mais, perante uma mesma causa, observamos um efeito de dispers\u00e3o e sobreposi\u00e7\u00e3o. Se os primeiros conservaram rotinas de trabalho com maior ou menor exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus, muitos outros, ao voltar para casa, viram-se confrontados com a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o a uma nova realidade, dilu\u00edda, duplamente exigente, altamente indiferenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ent\u00e3o, onde \u00e9 que entra aqui a Sa\u00fade Mental?<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos de n\u00f3s, em setor ligado \u00e0 gest\u00e3o de Recursos Humanos, que abdic\u00e1mos de rotinas in\u00fateis, que redefinimos o tempo de qualidade na r\u00e1pida transi\u00e7\u00e3o para o sof\u00e1 ou secret\u00e1ria caseiros, ou nos minutos evitados no tr\u00e2nsito dessa manh\u00e3, que retribu\u00edmos com inexced\u00edvel sentido de dever e gratid\u00e3o e sobrecompensando as horas que, de outro modo, se consumiriam em intervalos contraproducentes\u2026 Para muitos de n\u00f3s que transform\u00e1mos a maratona de 52 semanas numa prova de <em>sprint<\/em> e substitu\u00edmos a incerteza do futuro \u2013 para nosso entusiasmo e orgulho \u2013 por resultados muito promissores, sentimo-nos bem, muito bem.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que, nisto, um pequeno descuido, uma distra\u00e7\u00e3o aqui e ali, a manifesta\u00e7\u00e3o de um sintoma tornado vis\u00edvel sem a nossa permiss\u00e3o, mal explicado, porque traduzido numa express\u00e3o num\u00e9rica iminentemente mensur\u00e1vel, desviando aten\u00e7\u00f5es de uma psicometria de grau e intensidade. E como outro ter\u00e1 dito: <em>se n\u00e3o pode ser medido, n\u00e3o pode ser gerido. <\/em>Por esta raz\u00e3o, o tema da sa\u00fade mental nas organiza\u00e7\u00f5es s\u00f3 pode ser abordado numa perspetiva t\u00e3o iminentemente preventiva quanto relativa.<\/p>\n\n\n\n<p>E porqu\u00ea? Pandemia, teletrabalho e sa\u00fade mental podem ser vistos como dimens\u00f5es sobrepostas, do mesmo modo que o isolamento social, a falta de intera\u00e7\u00e3o com colegas de trabalho ou a dificuldade em separar a vida pessoal da profissional podem \u2013 prevalecendo sobre medidas positivas de flexibilidade hor\u00e1ria, economia de tempo e dinheiro \u2013 assumir-se como fatores de risco; os quais, por seu turno, podem desencadear pensamentos e comportamentos desajustados, afetando o nosso humor, a capacidade de nos conectarmos com as pessoas ou o nosso pr\u00f3prio sentimento de realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Daqui decorrente, a s\u00edndrome de <em>burnout<\/em> tanto pode ser tida como causa ou efeito. Combinados entre si, estes fatores correlacionam-se com o bem-estar emocional dos colaboradores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso entender isto: quando um colaborador abandona a organiza\u00e7\u00e3o, rescinde mais do que um contrato de trabalho, suspende tamb\u00e9m, por tempo indefinido, o seu sentido de compet\u00eancia e capacidade de relacionamento num futuro ambiente de trabalho. Ter\u00e3o existido sinais? Talvez sim; mas, como podemos falar de sa\u00fade mental se aqueles que lideram n\u00e3o estiverem sensibilizados ou preparados para cuidar das suas pessoas? N\u00e3o podemos. Talvez a sa\u00fade mental deva ser tanto uma preocupa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es quanto dos pr\u00f3prios colaboradores. E saber\u00e3o estes, na cultura em que vivemos, de constante supera\u00e7\u00e3o dos limites, identificar os seus pr\u00f3prios sinais de alerta? Duvido.<\/p>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 verdade que o processo de mudan\u00e7a come\u00e7a em cada um de n\u00f3s, o enquadramento da sa\u00fade mental numa agenda de compromisso e responsabilidade social das organiza\u00e7\u00f5es, mais do que prevenir a desvi\u00e2ncia, poder\u00e1 assumir-se como verdadeiro motor de desenvolvimento de compet\u00eancias sociais e emocionais. \u00c9 disto, sobretudo, de que s\u00e3o feitos os bons profissionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A sa\u00fade mental est\u00e1 para as organiza\u00e7\u00f5es como as cal\u00e7as de ganga est\u00e3o para quem as veste: nunca passa de moda.&#8221; Pedro Ch\u00f4to, Branch Manager de Lisboa, partilha a sua opini\u00e3o acerca da sa\u00fade mental e da sua import\u00e2ncia para as empresas. Leia aqui:<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":33295,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1123,1],"tags":[],"class_list":["post-32977","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-bem-estar-laboral","category-nortempo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32977","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32977"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32977\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":85245,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32977\/revisions\/85245"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/staging.nortempo.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}